DICAS

A SOLDA DE METAIS NA ODONTOLOGIA

A SOLDA DE METAIS NA ODONTOLOGIA

Considerações gerais sobre SOLDA

Considera-se uma solda o resultado do processo de união, normalmente por algum tipo  de aquecimento, de dois ou mais materiais. Os materiais podem ser iguais ou diferentes, dependendo do processo utilizado.

Na antiguidade só se conhecia o método de solda usado pelos ferreiros, que consistia em aquecer os dois materiais, (normalmente do mesmo tipo, ferro ou aço) até o rubro e depois comprimiam-se os dois entre eles com golpes de martelos ou marretas.

O procedimento provocava um aumento de temperatura maior ainda na região o que acabava fundindo localmente os materiais.Um bom exemplo são os aros das carroças. Hoje em dia considera-se uma solda mesmo aquela que não demanda de uma fusão, ou seja, uma colagem.

As soldas metálicas convencionais se dividem em três grandes grupos:
a - solda com adição de terceiro material que chamaremos de solda com adição 
b - solda com ou sem adição do próprio material (solda autógena).
c – solda por pontos, normalmente sem adição e entre materiais muito semelhantes.

A – SOLDA COM ADIÇÃO DE TERCEIRO MATERIAL 
(solda com prata ou material de baixa fusão)

A base dessa solda ou fixação é uma ancoragem do terceiro material nas fissuras superficiais e espaços intercristalinos, também conhecido como brazagem. No caso da solda com adição de terceiro material, o processo é bastante trabalhoso.Imaginemos que o terceiro material tem que fluir e penetrar entre os cristais e fissuras superficiais dos materiais a serem unidos.(em ortodontia é uma liga de prata com outros materiais no caso de próteses são metais especiais que fundem a baixas temperaturas)
Para que isso aconteça, o metal de adição tem que ter uma densidade bem menor que o metal a ser unido e ainda apresentar praticamente nenhuma tensão superficial, que impediria que penetrasse entre os cristais e fissuras superficiais.

Além disso, os materiais teriam que ser exageradamente limpos, quanto mais rugosos melhor e principalmente livres de quaisquer tipos de gorduras, onde até a gordura dos dedos com que manuseamos os materiais influi muito.
Todos nós sabemos que para uma solda com prata ou metais de baixa fusão, devemos antes passar o “fluxo” no local onde haverá a solda.Ora o fluxo providencia uma limpeza superficial dos materiais, expondo a superfície que ficará metalicamente pura, sem elementos como gorduras que impedem o “correr” da solda.
Neste tipo de solda, normalmente usamos uma chama para adicionar o calor ao local onde queremos que a união se estabeleça. Esse calor deve ser tal que consiga fundir o terceiro material, porem sem afetar os materiais a serem soldados.

O equilíbrio de calor só se consegue com muita experiência ao longo do tempo e depende muito do operador, ou seja, nem todos conseguem fazer uma solda com adição de terceiro material com perfeição. A tendência geral é usar calor em demasia, levando as peças a temperaturas que irão danificar as mesmas.

Existem muitas variáveis e muitas influências externas para uma boa solda com adição de terceiro material. Portanto não é um sistema muito fácil e confiável.Devido aos problemas e dificuldades enumeradas acima, praticamente todos os profissionais da área preferem que os protéticos façam as soldas, pois tem muito mais bagagem para tal, conseguindo acabamentos e resistências muito melhores, porém com custos mais elevados,

B – SOLDA AUTOGENA 
(com ou sem adição do próprio material)

O processo de solda autógena normalmente se dá adicionando se altas quantidades de calor em áreas muito pequenas, tal que tenhamos temperaturas ao redor do ponto de fusão dos materiais a serem soldados. A solda em si se dá pela fusão local de pequenas porções dos materiais a serem unidos, sem necessidade de um terceiro material de ponto de fusão bem mais baixo, que venha a “colar” as superfícies em questão.

Dentro desse processo podemos classificar também a já conhecida e largamente difundida solda elétrica, a qual nada mais faz que fundir o eletrodo com os materiais a serem soldados. Nesse tipo de solda sempre se procura um agente de proteção para não haver oxidação na poça de solda (enquanto o metal está líquido) essa proteção pode ser líquida ou gasosa.

A forma líquida é normalmente conseguida pela fusão do material protetor que acompanha o eletrodo da “solda elétrica”, ou fusão do pó usado nas soldas industriais mais pesadas. O material protetor se funde durante o processo de aquecimento protegendo a solda e se solidifica a posteriori. Normalmente é removido mecanicamente ( martelete) expondo o ponto ou cordão concluído.

A forma gasosa é usada em sistemas mais precisos e delicados como a solda a LASER, MIG, TIG  e PLASMA.
Nesse caso a proteção do local da fusão é protegido por uma saia de gás ou é executada em clausura com gás o que evita a oxidação da poça de solda. As diferenças entre os vários sistemas de solda são basicamente a maneira de transmitir energia ao material para provocar o aquecimento e a maneira de fornecer material de adição.

Hoje em odontologia, principalmente na área de prótese está sendo usado o sistema LASER e o Sistema TIG (tungsten inert gás). No sistema LASER a energia é fornecida por um feixe de luz muito concentrado e rápido, em atmosfera de Argônio, fazendo com que haja uma micro-fusão no local. Nesse sistema para se fazer a união resistente, há necessidade de muitos pontos ao redor de uma peça.  O sistema é bastante oneroso na aquisição e manutenção, alem de ser crítico quanto ao manuseio e execução da solda, demanda muito treino e habilidade do operador para evitar fissuras futuras..

No sistema TIG, recém introduzido no mercado odontológico, a energia é fornecida por um arco voltaico controlado, semelhante à solda elétrica convencional, porém fluindo de um eletrodo fino de tungstênio que não se desgasta ou se deposita na peça a ser soldada. Esse sistema também trabalha sob atmosfera de argônio e utiliza o poder das pontas para concentrar a energia. (Quanto mais afilada a ponta, tanto maior a concentração).

A abertura de arco normalmente é feita como na indústria, por meio de arco piloto de alta freqüência, isso para que não haja contaminação da poça de solda por pedaços do eletrodo e para preservar a ponta afilada do eletrodo concentrador de energia. As técnicas de solda são muito semelhantes às usadas no sistema Laser, porém os resultados tem se mostrado melhores, senão iguais, mas com menor incidência de fissuras. (vide trabalhos publicados no site www.kernit.com.br).

Outra vantagem é que o custo de aquisição é muito mais baixo e praticamente livre de manutenção, alem de não necessitar longos treinamentos e grandes habilidades dos operadores.
Solda praticamente todos os materiais metálicos de prótese, inclusive titânio, excetuando se as ligas com alumínio, e ou, cobre.
O sistema MIG não é usado em odontologia por ser um sistema próprio para realizar cordões de solda mais largos e extensos.
O sistema PLASMA se prestaria para a odontologia, porém demanda de dois tipos de gases distintos, um protetivo e um de plasma que será super aquecido e projetado conta a peça a ser soldada,  alem dissso demanda uma tocha com eletrodo interno, bastante difícil de regular e manter.

C – SOLDA POR PONTOS
(solda a ponto)

A solda por pontos, ou solda a ponto é largamente empregada na fabricação de carrocerias de automóveis, estruturas estampadas e eletrodomésticos. Com o surgimento da ortodontia e a necessidade de se confeccionar peças metálicas compostas, surgiu um novo seguimento de máquinas de soldar. A solda a ponto miniaturizada para uso em consultório dentário.

A solda por pontos se processa igualmente como a anterior, baseada na fusão local do material, aliada a propriedade dos materias metálicos se fundirem pontualmente  por temperatura e pressão. Posto isso, precisamos fornecer temperatura para o ponto de solda, isso se faz com um fluxo elétrico de alta corrente (Amperes) e baixa tensão (Volts), visto sabermos que quanto maior a corrente maior o aquecimento do material de mesma secção.

Devido a usarmos eletrodos de cobre para o contato com as peças a serem soldadas, criamos um bom contato pela parte externa que esta em contato direto com os eletrodos, porem na parte interna o contato é pior, daí o aquecimento é de dentro para fora, o que facilita a fusão na parte interna do ponto (entre as duas chapas). 

Se fornecermos uma energia muito elevada corremos o risco de “queimar o ponto”, ou seja de aquecer alem do necessário e portanto permitir que o calor migre pela peça oxidando o ponto de solda e parte da peça tambem. Em alguns casos pode chegar a “furar” as peças por excesso de calor. Se a energia for pouca, não teremos a fusão e consequentemente não termos solda.

Se a pressão durante o fornecimento de energia for muito pequena, o material fundido não agregará ao seu oponente, daí os pontos fracos que soltam com o tempo. Se as peças estiverem contaminadas (sujas), inclusive com gordura dos dedos que usamos para manuseá-las, a solda será deficiente, pois contaminará a poça de solda enfraquecendo-a.

Como sabemos que enrgia é a potência (Amperes x Volts) multiplicada pelo tempo de aplicação, chegamos à conclusão que o domínio do tempo é importantíssimo no processo de soldagem, pois corrente(Amperagem) e tensão(Voltagem) são facilmente controlaveis.

Partindo dos conhecimentos adquiridos podemos afirmar que para um bom ponto de solda e sua repetitividade precisamos o controle total do processo, isto quer dizer que toda a máquina de solda por mais simples que seja deveria ter um dispositivo controlador de tempo.(gatilho eletrônico)

Técnicas de solda na ORTODONTIA

1 –  Manter sempre as peças o mais limpas possíveis.

2 –  Não tentar tirar pressão entre os eletrodos durante a solda.

3 –  Se possível aumentar a pressão entre os eletrodos.

4 – Regular a potência da máquina sempre perto do máximo para as peças em trabalho (fazer testes antes de soldar definitivamente)

5 –  Pode-se dar um ponto na peça e depois angular a mesma , a posteriori fazer mais alguns pontos para fixação final, principalmente em máquinas capacitivas como a SMP 3000 digital.

7 –  Não tentar soldar fio com fio ou fio em bandas em máquinas resistivas com a Pontomatic, para essa técnica usar máquinas capacitivas como a SMP 3000.

8 –  Para soldar fios de NiTi ou TMA em fios de NiTi ou TMA respectivamente, usar sempre máquinas capacitivas reguladas em potências muito baixas ex.: 15 a 21 na SMP 3000 digital.

9 –  Para fazer solda com prata sem chama aberta, use sempre a SMP 3000 digital:

 9.1 - fixe primeiramente as peças a ponto no modelo, utilizando o espaço criado para a solda com prata convencional (alívio)com a SMP 3000 no modo “SMP”,    

9.2  - retire as peças fixadas do modelo e solde com auxílio do eletrodo de carvão, que no caso serve para aquecer o material. Use fluxo e prata normalmente. Nesse caso a SMP 3000 deve estar no modo S/H (soldering/heating).  Observe que é possível regular a quantidade de calor no botão de potência da SMP 3000 o que evita super aquecimento.